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Recolher



Agarrai nas vesgas moles
e lançai-as aos biltres de brandas fronhas!
De mortalhas trajadas,
não passais já de carne fétida
a quem apraz maldizer
em vil acto de excomunhão!

Desviai-me a mão
de tal enfermo propósito,
que de mim próprio temo!
Sabei que as minhas dolores
são profundas e antigas,
porque vossas.
Soai agora a hora do recolher!

Ó nauseada vontade
de um povo sem grito,
de um rosto sem brado!
Dai de comer a essa fome
que vos come,
dai novo mister a essa Alma
que por ora jaz sem serventia!

Faunos e Sátiros


O primeiro de um trio de posts sobre a que é talvez a figura mitológica que mais me fascina: os faunos e/ou sátiros.

Seguidores de Pã e de Dionísio, estas criaturas maliciosas dedicavam-se às práticas hedonistas com todo o fervor que qualquer sacerdote se dedicaria à sua religião. Donos de uma língua viperina, não é à toa que as "sátiras" foram buscar a eles o seu nome.

Viviam obcecados com as ninfas e, segundo reza a lenda, Pã conseguiu seduzi-las a todas, inclusivé as mais difíceis. Esta fixação pelo prazer carnal deu também origem às expressões satiromaníacos (no caso dos homens) e ninfomaníacas (no caso das mulheres). Há, portanto, toda uma série de libertinagens linguísticas e metafóricas associadas a estas criaturas dos bosques.

Já se perguntaram de onde terá vindo a palavra "pânico"? Pois não é que o mariolas do Pã gostava de pregar sustos a quem se aventurava pelos seus territórios?


gaveta de arrumos