Mostrar mensagens com a etiqueta Orientalismos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Orientalismos. Mostrar todas as mensagens

O hino da pérola

[...]

«I remembered the pearl,
for which I had been sent to Egypt,

and I began to charm him,
the terrible loud breathing serpent.

I hushed him asleep and lulled him into slumber,
for my father's name I named over him,

and the name of our second (in power)
and the of my mother, the queen of the East.

And I snatched away the pearl,
and turned to go back to my father's house.

And their filthy and unclean dress I stripped off,
and left it in their country,

and I took my way straight to come
to the light of our home in the East.

And my letter, my awakener,
I found before me on the road;

and as with its voice it had awakened me,
(so) too with its light it was leading me.

It, that dwelt in the palace,
gave light before me with its form,

and with its voice and its guidance
it also encouraged me to speed,

and with its love it drew me on

[...]

O Livro das Mutações


Para una versión del I King

El porvenir es tan irrevocable
como el rígido ayer. No hay una cosa
que no sea una letra silenciosa
de la eterna escritura indescifrable
cuyo libro es el tiempo. Quien se aleja
de su casa ya ha vuelto. Nuestra vida
es la senda futura y recorrida.
Nada nos dice adiós. Nada nos deja.
No te rindas. La ergáscula es oscura,
la firme trama es de incesante hierro,
pero en algún recordo de tu encierro
puede haber un descuido, una hendidura.
El camino es fatal como la flecha
pero en las grietas está Dios, que acecha.

Jorge Luis Borges, in La moneda de hierro (1976)

Lepidoptera sapiens

«Once upon a time, I, Chuang Chou, dreamt I was a butterfly, fluttering hither and thither, to all intents and purposes a butterfly. I was conscious only of my happiness as a butterfly, unaware that I was Chou. Soon I awakened, and there I was, veritably myself again. Now I do not know whether I was then a man dreaming I was a butterfly, or whether I am now a butterfly, dreaming I am a man. Between a man and a butterfly there is necessarily a distinction. The transition is called the transformation of material things.»

Zhuangzi, séc. IV a.C.

Gaiolas temporárias


I am a bird of God's garden
and I do not belong to this dusty world
For a day or two they have put me here
in this cage of my own body
I did not come here of my own
I will not return of my own
to my own country.

Rumi, séc. XIII

A Língua dos Pássaros

Este quadro fez parte de uma rara cópia ilustrada do poema místico de Farid al-Din 'Attar, o Mantiq al-Tair (A Língua dos Pássaros). Comissionada por um mecenas endinheirado durante o reinado do Sultão de Timurid em Herat, Husain Baiqara (r. 1470-1506), o manuscrito contém 4 pinturas do século XV, atribuídas ao celebrado mestre Bihzad.

Como resposta ao lamento do pássaro poupa, conta a história de um homem pobre que se enamora de um rei egípcio. O monarca manda chamar o homem pobre e pede-lhe para escolher entre o exílio ou a morte. O homem pobre escolhe o exílio e é imediatamente decapitado. Quando perguntam ao monarca porque cometeu este ato, ele responde "É porque ele não estava totalmente apaixonado por mim. Se ele realmente me amasse, teria escolhido a morte, em vez do exílio. Se ele tivesse escolhido a morte, eu ter-me-ia tornado no seu dervish".

सपना

A Índia é sempre fascinante. Independentemente de que perspectiva a olhemos. O fascínio exacerba-se quando esse exercício é feito por um outro olhar oriental, neste caso nipónico. Sonhe-se, então.







Kinhin


Spaziergang

Schon is mein Blick am Hügel, dem besonnten,
dem Wege, den ich kaum begann, voran.
So faßt uns das, was wir nicht fassen konnten,
voller Erscheinung, aus der Ferne an - 

und wandelt uns, auch wenn wirs nicht erreichen,
in jenes, das wir, kaum es ahnend, sind;
ein Zeichen weht, erwidernd unserm Zeichen...
Wir aber spüren nur den Gegenwind.


Rainer Maria Rilke

Catedrais interiores

Um dos meus sonhos recorrentes é com templos religiosos, que os encontro ou os vejo a partir do seu exterior ou, então, que estou no seu interior.

Estes templos situam-se normalmente em lugares rochosos, altos, por vezes junto a costas marítimas. Quando no seu interior, tanto me acontece entrar a meio de uma cerimónia religiosa indiscriminada ou, então, dou por mim a explorá-los e a perder-me nos seus labirintos de divisões e níveis sempre ascendentes.

Regra geral, têm todos uma arquitetura austera indiscriminada, granítica, de tetos altíssimos, embora pouco iluminados no seu interior. Por vezes, dou por mim a passar o resto do sonho meio perdido numa plataforma/nível/andar, sem encontrar meio de dali sair. Regra geral também, não estou sozinho e apercebo-me da presença de várias pessoas, igualmente indiscriminadas, que por eles circulam, oram, oficiam.

A sensação que me invade quando tenho estes sonhos é uma de paz, também ela indiscriminada e sem causa que a justifique e, sobretudo, de grande curiosidade que me leva a descubri-los e a penetrar gradual e persistentemente nos seus interiores.

Ultimamente, não tenho sonhado muito com tudo isto. Talvez devido ao facto de, nos meus dias vagos, tanto ter entrado neles nas minhas andanças.

Ontem, dou por mim a aprender sobre o conceito de Brahma Muhurtha. E sinto que penetro cada vez mais pelas minhas catedrais interiores com uma candeia de luz mais intensa.

Guia espiritual


Os livros, como tantas outras criações artísticas, necessitam de tempo e de timing precisos. Tempo de disponibilidade para as apreciarmos com a sua devida justiça, e espaços temporais exatos para que a sua repercussão seja mais certeira nos nossos percursos de vida.

Este «The Guide» é exemplo acabado disso mesmo. Comprei-o há anos e há exatos anos se encontra à espera do meu momento certo de o abrir. Se a sua invulgar história terá afinidades com a minha, só o porvir o dirá. Mesmo que as não tenha, concerteza passarei boas horas na companhia das suas páginas. E isso é sempre o bastante.

Azad



Perguntaram a um homem sábio:

Cada qual tem a sua missão e o seu tempo próprio, durante o qual é forte e fértil, e na sua ausência fraco e seco; a nenhum destes estados transitório está o cipreste exposto, florescendo sempre; e desta natureza são os azads. Não fixam o seu coração no que é transitório (...) Se na tua mão houver abundância, sê generoso como a tamareira; mas se nada tiveres para dar, sê um azad, ou homem livre, tal como o cipreste.

Xeque Sa'di de Xiraz

Felinas aventuras

Há memórias com raízes na infância que ganham em permanecerem intocadas, que mais vale não serem remexidas para não perderem o brilho e a magia.

O Tigre da Malásia, mais conhecido por Sandokan, é uma delas. Por muito que me custe, recuso-me a revisitá-lo. Prefiro saber mais sobre o seu mito, sobre a sua lenda, sobre o seu autor do que saber que se tornou num amigo que não me apetece rever porque seguimos caminhos tão diferentes que ficamos sem referências mútuas.

Por vezes, é o que acontece a certas amizades. Espero que não a todas.

Sadko

Acabo de ver um filme do mago russo Aleksandr Ptushko sobre o grande épico de Pushkin, SADKO. Um encantamento. Uma parada de sortilégios visuais sem fim, com a particularidade de ser pontuada com a música de Rimsky-Korsakov. Sinto-me mimado, estragado com tanta benesse.

Sadko é o herói com sentimentos nobres e coração puro que faz brilhar os olhos de qualquer criança e derreter o coração de qualquer adulto. Parte em busca do pássaro da felicidade para consolar os pobres de Novgorod, acabando por descobrir que a felicidade se encontra não em países longínquos, mas sim na nossa terra natal. Isto pode parecer demasiado patriótico, tendo em conta que o país de origem desta história é a Rússia. Mas já dizia a Dorothy: "There's no place like home". Concordo cada vez mais.

Ano felino

As mudanças de estação e passagens de ano são alturas com um cariz de magia acrescido. Da genuína. Daquela que não é ilusionada, daquela que, por muito que se tente, ainda não foi descortinada.

Neste novo ano que entra, um outro irá ainda fazer a sua majestosa entrada - o chinês. 2010 irá ser o ano do Tigre, o meu signo. Domá-lo ou deixar-se domar por ele, é no equilíbrio que se encontram todas as respostas.

Lakmé

Viens, Mallika, les lianes en fleurs, também conhecido como o Dueto das Flores, é provavelmente a minha Aria favorita.

Sou capaz de a ouvir ad infinitum, tal é a sua capacidade de mexer com as minhas entranhas. Desperta em mim imagens e emoções que, até a ouvir, não as sabia minhas. Faz parte da ópera em três actos de nome Lakmé, uma composição da autoria de Léo Delibes e a sua acção passa-se na Índia, numa altura em que tudo o que vinha do Oriente era ainda prenhe em magia, sedução e mistério.

Este dueto com flores à mistura é cantado à beira-rio por duas mulheres, Lakmé e Mallika, a sua serva. Jamais o acto de apanhar flores foi captado de maneira tão bela.

Caverna de Tesouros


É curioso como, ao virar de cada esquina e nos lugares mais improváveis, se escondem tesouros. Reais e não como os de Ali Babá, saídos de umas quaisquer Mil e Uma Noites. Hoje encontrei um desses tesouros. Só não era preciso dizer "Abre-te Sésamo". Bastava pedir licença.

Ragas e Talas

Ontem foi-me dado o privilégio de assistir a um belíssimo concerto de música clássica indiana por um dos seus maiores exponentes na Aula Magna da Universidade Portucalense.

Dr. L. Subramaniam e o seu ensemble foram os convidados e responsáveis por elevarem os espíritos de todos os que assistiram a esta grande soirée. Um dos maiores violinistas de sempre, possui o raro dom de extrair desse instrumento os mais inusitados sons e vibrações.

Acompanhado por quatro elementos, dois deles percussionistas exímios, proporcionaram a quem passou por lá uma noite com cadência, charme e magia. Subramaniam fala com uma voz grave mas serena, própria de um espírito em paz consigo mesmo e seguro da sua missão. Obrigado, então. Ficamos todos certamente mais enriquecidos com a exposição à sua grande arte.

Repouso


Agora poiso os braços e encosto o dorso. Não falem para mim. Estou em repouso.

Passagem para a Índia

Se Lord Edwin Weeks nas suas viagens pelo Oriente tivesse tido uma máquina polaroid em vez de tela e tintas, este era mais ou menos o resultado obtido. Pedindo desde já desculpa pelo atrevimento, peço também licença para o sonho.


gaveta de arrumos