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Ainda Salomé

Devo confessar a minha paixão assolapada por Aubrey Beardsley desde que se me deparei com a sua arte ao ler a edição ilustrada de Salomé de Oscar Wilde.

Dizia ele, que tão novo morreu, somente com 25 anos de idade, que tinha um só objectivo - o grotesco: "Se eu não sou grotesco, não sou nada". Admirável, no mínimo. Pergunto-me que cumes de grotesco ele teria atingido se a tuberculose não lhe tivesse ceifado a vida.

Influência magna nos artistas da época, Beardsley em 6 anos de actividade artística conseguiu mais do que muitos de nós em muitos mais anos. Faço-te aqui uma vénia, grotesco e fascinante Aubrey.

Salomé



Salomé. Para mim é mais fascinante compreender o mito que se criou à volta desta figura que acabaria por ser a responsável pela decapitação de João, o Baptista, do que propriamente pela mulher que foi: uma mimalha.

Pena-me assistir todos os anos à queima simbólica de uma das figuras mais importantes da história da humanidade (Judas), quando se calhar uma representação da dança da eventual morte de S. João seria bem mais interessante. Ainda por cima sendo ele o padroeiro de Vila do Conde (fim da achega). Não obstante, os filmes criados à volta desse tal mito serão sempre interessantes. Tal como este aqui em cima. Divina Nazimova, o mundo ainda te adora.


gaveta de arrumos