Ócios de estio
sábado, julho 18, 2020 | Etiquetas: Mar, Mitologias, Pintura | 0 Comments
(Des)mascarar
«L'utopie est la vérité de demain.»
Pintura: José Conrado Roza, Mascarada Nupcial (1788)
segunda-feira, junho 15, 2020 | Etiquetas: Pintura | 0 Comments
Certezas maiores
If —
If you can keep your head when all about you
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;
If you can dream—and not make dreams your master;
If you can think—and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build ’em up with wornout tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on”;
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings—nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run—
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And—which is more—you’ll be a Man, my son!
Rudyard Kipling in Rewards and Fairies (1910)
terça-feira, abril 28, 2020 | Etiquetas: Pintura, Poesia | 0 Comments
Ouroboros
«If we want things to stay as they are, things will have to change.»
quinta-feira, março 05, 2020 | Etiquetas: Livros, Novos Fôlegos, Pintura | 0 Comments
Cárceres
Um dos últimos casos em que isso me aconteceu, teve a ver com cinema. Especificamente, com os dois últimos filmes que vi numa sala de cinema, em datas diferentes: "A Hidden Life", de Terrence Malick; e "J'Accuse", de Roman Polanski. Só muito recentemente me apercebi que, tanto um, como o outro, abordam questões de integridade moral, cujo enredo envolve o aprisionamento da figura central à trama da história, por razões expiatórias favorecendo um poder central maior.
Nunca vergando, nunca cedendo, ambas as personagens tornar-se-iam exemplos de conduta moral, não escapando, no entanto, à chancela de mártires -- condição sine qua non nestes casos. Ambas as histórias, coincidentemente também, são verídicas. Há aqui, certamente, uma verdade maior a apreender.
quarta-feira, fevereiro 26, 2020 | Etiquetas: Cinema, Joaquín Sorolla Bastida, Pintura | 0 Comments
A raiva
terça-feira, fevereiro 18, 2020 | Etiquetas: Evarist De Buck, Máculas, Novos Fôlegos, Pintura | 0 Comments
A Língua dos Pássaros
Como resposta ao lamento do pássaro poupa, conta a história de um homem pobre que se enamora de um rei egípcio. O monarca manda chamar o homem pobre e pede-lhe para escolher entre o exílio ou a morte. O homem pobre escolhe o exílio e é imediatamente decapitado. Quando perguntam ao monarca porque cometeu este ato, ele responde "É porque ele não estava totalmente apaixonado por mim. Se ele realmente me amasse, teria escolhido a morte, em vez do exílio. Se ele tivesse escolhido a morte, eu ter-me-ia tornado no seu dervish".
quarta-feira, fevereiro 12, 2020 | Etiquetas: Ilustração, Orientalismos, Pintura, Poesia | 0 Comments
Artérias de vida(s)
Ainda no seguimento da publicação anterior, encontro hoje esta citação de Henry David Thoreau, de quem ando a ler o seu seminal "Walking" --
«Never look back unless you are planning to go that way»
Uma boa caminhada é algo que gosto muito de fazer sempre que o tempo e a disponibilidade me permitem. Renova-me interiormente. Completamente. Thoreau introduz-me ao conceito do "saunterer", peregrinos da Santa Terra. Todos nós percorremos um caminho. Cabe-nos alargar os horizontes desse caminho, para que a experiência nos enriqueça. Se possível, reciprocamente. A capacidade de dar e de nos darmos é, muitas das vezes, um vício inerente em estado de latência. Que bom que é quando nos damos conta disto mesmo. E ainda vamos a tempo.
domingo, dezembro 01, 2019 | Etiquetas: Domenico Baccarini, Livros, Novos Fôlegos, Pintura | 0 Comments
Leituras interiores
Les rêves sont la littérature du sommeil. Même les plus étranges composent avec des souvenirs. Le meilleur d'un rêve s'évapore le matin. Il reste le sentiment d'un volume, le fântome d'un péripétie, le souvenir d'un souvenir, l'ombre d'une ombre...
Jean Cocteau
terça-feira, novembro 19, 2019 | Etiquetas: Carolus-Duran, Jean Cocteau, Onirismos, Pintura | 0 Comments
Amor fati
Friedrich Nietzsche, in Ecce Homo (1908)
sexta-feira, novembro 08, 2019 | Etiquetas: António Manuel da Fonseca, Friedrich Nietzsche, Novos Fôlegos, Pintura | 0 Comments
A voz do mar
Sophia, sempre Sophia a invadir-me os meus dias. Hoje, ao ler o conto Praia incluído nos seus «Contos Exemplares», encontro estas linhas tão em sintonia com o que por aqui escrevi ontem. É o mar, sempre o mar a invadir-me.
"Cá fora, mal passámos a porta que dava para a varanda, o grande sopro do mar cobriu-nos, rodeou-nos, invadiu-nos.
O nevoeiro tinha transfigurado tudo.
Agora só cheirava a mar. Um perfume apaixonado de algas escorria das árvores. Lua e estrelas não se viam. Nem os plátanos se viam. Só se viam muros brancos no nevoeiro branco. Tudo estava imóvel e suspenso.
Só a voz do mar se ouvia, espantosamente real, recriando-se incessantemente.
E parecia que os grandes, verdes e violentos espaços marinhos, como sendo o nosso próprio destino, nos chamavam."
sábado, outubro 12, 2019 | Etiquetas: Carl Olof Larsson, Mar, Pintura, Sophia de Mello Breyner Andresen | 0 Comments
Flor azul
Oh! sauge, Geliebter,
Gewaltig mich an,
Daß ich entschlummern
Und lieben kann.
Ich fühle des Todes
Verjügende Flut,
Zu Balsam und Äther
Verwandelt mein Blut -
Ich lebe bei Tage
Voll Glauben und Mut
Und sterbe die Nächte
In heiliger Glut.
Novalis, in Hymen and die Nacht (1800)
segunda-feira, outubro 07, 2019 | Etiquetas: Émile Bernard, Novalis, Novos Fôlegos, Pintura, Poesia | 0 Comments
Terminus
Este passado fim de semana a temperatura subiu-me, fiz-me febril e as minhas tripas desfizeram-se em tralhas. Ponho as culpas todas no verão. Eu e os golfinhos, seguramente. Foi como se o calor todo que o meu corpo absorveu durante este estio tão incerto nos seus barómetros fervesse as minhas entranhas e elas encontrassem essa maneira de o expulsar. Desfeitas em tralhas.
No fim de todos os verões, damos todos à costa de todos os setembros de abrigo.
quarta-feira, setembro 18, 2019 | Etiquetas: Francis Bacon, Pintura | 0 Comments
Dedos de escriba
Certa noite sonhei que escrevia com o dedo. Nunca mais me esqueci deste sonho. A tinta saía negra e grossa, como tirada de um pincel. Como se no lugar de vasos sanguíneos o meu dedo indicador tivesse um tubo de esferográfica, daqueles de plástico transparente, que usava a boca do meu dedo para falar pela folha branca afora.
segunda-feira, setembro 16, 2019 | Etiquetas: Carolus-Duran, Onirismos, Pintura | 0 Comments
Meio do dia
Aguardo tranquilamente o desenrolar destas "metades", de dia, de vida, de afetos.
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Meriggio
In questa doratura di sole
io sono
una gemma pelosa
legata crudelmente con un filo di refe
perché non possa sbocciare
a bagnarsi di luce.
Accanto a me tu sei
una freschezza riposante d'erba
in cui vorrei affondare
perdutamente
per sfrangiarmi anch'io
in un ebbro ciuffo di verde -
per gettare in radici sottili
il mio più acuto spasimo
ed immedesimarmi con la terra.
terça-feira, julho 23, 2019 | Etiquetas: Antonia Pozzi, Ilya Repin, Pintura, Poesia | 0 Comments
Dos filhos e dos homens
«Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo. Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras, para se explicar às pessoas.»
Valter Hugo Mãe, in O filho de mil homens (2011)
segunda-feira, julho 22, 2019 | Etiquetas: Leon Spilliaert, Livros, Pintura, Valter Hugo Mãe | 0 Comments
Diário de viagem
Pecado maior na aceitação e compreensão de qualquer artista é a incapacidade de o dissociar da sua vida pessoal. Amiúde, as suas vidas estão longe do ideal que tentaram alcançar através da criação artística. Tudo farei para que nunca tenha que absolver tal mácula de julgamento.
Transcrevo aqui um excerto que julgo exemplar da forma gloriosamente barroca como utilizou a sua língua natal. Latifundiário de uma linguagem riquissimamente ornada, emprestando-se frequentemente a veleidades de esteta linguístico, possuía dotes descritivos como muito poucos. Confiram, então.
«Parte do jardim tornara-se impenetrável pela densíssima vegetação que o enchia, mas via-se, de longe, desse miolo de verdura, alar a fluência magnífica das bananeiras estéreis, os leques malabares das palmas anãs, as vergastas dos bambus e, ardendo como fachos acesos, os tirsos alaranjados dos cactos floridos... Do lado oposto e ao abrigo do biombo de loureiros entretecidos de heliotrópios, cujas flores, na sombra lúcida, lhes recamavam a folhagem envernizada de gotas azuladas, o tanque de águas verdosas, turquesa oval, reflectia por entre rolos de limos trechos de céu profundo. Era ali que durante os crepúsculos se destilavam os perfumes mais activos.
O jardim vivia o momento supremo do seu esplendor, hora imperial, fulgurante, perdulária, que se encurtava para se não repetir mais, exausta em voluptuosidades arrebatadas e caprichosas; e essa hora divina foi para mim só...»
Manuel Teixeira Gomes, in Cartas sem moral nenhuma (1903)
quarta-feira, julho 17, 2019 | Etiquetas: Livros, Manuel Teixeira Gomes, Pintura, Rudolf Tewes | 0 Comments
O Menino do Mar
Quase não me conhecia já assim. De versos tão ingénuos e tão inacabados. Partilho-o, com as certezas da sua verdade imóvel no tempo. E, sempre, sem reservas.
O Menino do Mar
Ele traz-me canções
Encontradas nas ondulações
de Julhos distantes
Elas falam de marujos
Embrulhados no marulho
de uma concha quebrada
O Menino do Mar
Ensinou-me a cantar
e eu segui-o
Os meus versos
Envia-mos dispersos
como brisas à deriva
E eu continuo atrás dele
terça-feira, julho 16, 2019 | Etiquetas: Mar, Maxfield Parrish, Nostalgias, Pintura, Poesia | 0 Comments
Andam Faunos pelos Bosques
Ainda os faunos - essas figuras mitológicas que têm tanto de inocentes, como de mariolas - a visitarem-me o pensamento e a desinquietarem-me as morais.
Reencontro, sem procurar, a obra de Aquilino que dá título a este post. Chegou agora a hora certa para a ler. Sim, porque tudo tem um tempo e um timing precisos. Só temos mesmo de estar atentos e corresponder a estes convites sem reservas. Fica aqui um excerto:
"Fez o servo de Deus o sinal da cruz, mas, para ser demónio, não se desvaneceu em fumo ou cheiro de enxofre o estranho vivente. Perguntou-lhe então quem era, ao que o outro, oferecendo-lhe tâmaras, respondeu: Sou Mortal, um dos habitantes do ermo e chama-nos a gentilidade, em seu error, faunos, sátiros e ainda silvanos."
segunda-feira, julho 15, 2019 | Etiquetas: Aquilino Ribeiro, Livros, Mitologias, Pintura, Rupert Bunny | 0 Comments
O gene da poiesis
Um dia
peguei na vida,
e, tão recatadamente,
fui guardá-la
na tua mão.
Dobrei-te os dedos
para ficar bem guardada.
Mas tu
não foste cautelosa:
- a pouco e pouco
foste abrindo a tua mão!...
sexta-feira, julho 12, 2019 | Etiquetas: Irmãos Reis Pereira, Nikolaos Lytras, Pintura, Poesia | 0 Comments
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