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Poemas e pautas


Acabei de compôr este poema hoje. E eu digo "compôr" porque para mim escrever poeticamente é como escrever com notas: cada uma tem o seu sítio certo na pauta, assim como cada palavra tem o seu lugar e a sua razão de ser no verso. É o meu segundo em francês e também este não tem título.

Comme dans un songe
Je m'emmène
Auprès de toi
À travers le miroir
Des mensonges
Et des mots dits

Diable ou ange
Je m'emmerde
Si c'est un amour
À rebours
Des mélanges
Et des maudits

Lakmé

Viens, Mallika, les lianes en fleurs, também conhecido como o Dueto das Flores, é provavelmente a minha Aria favorita.

Sou capaz de a ouvir ad infinitum, tal é a sua capacidade de mexer com as minhas entranhas. Desperta em mim imagens e emoções que, até a ouvir, não as sabia minhas. Faz parte da ópera em três actos de nome Lakmé, uma composição da autoria de Léo Delibes e a sua acção passa-se na Índia, numa altura em que tudo o que vinha do Oriente era ainda prenhe em magia, sedução e mistério.

Este dueto com flores à mistura é cantado à beira-rio por duas mulheres, Lakmé e Mallika, a sua serva. Jamais o acto de apanhar flores foi captado de maneira tão bela.

Solstícios


E assim te anuncias, majestosa e ímpar, a nova estação. Estival de sua graça, tens-me a mim como vestal em venerosa vénia.

Opulenta na tua abundância, reclamas o fogo do sol enquanto despertas o sal na pele dos amantes breves.


gaveta de arrumos