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Supremos vícios

Na senda da publicação anterior, temos à direita uma enigmática pintura do belga Fernand Khnopff, intitulada "Le vice suprême" (1885), usada para ilustrar a obra literária homónima de Joséphin Peladan.

Os dois artistas, aparentemente, admiravam-se mutuamente e as suas criações fizeram furor nas suas respetivas áreas artísticas.

A esfinge que vemos na pintura iria reaparecer numa outra obra de Khnopff que definiria a sua reputação até aos dias de hoje - Caresses (1896). Este animal mitológico, aliás, reaparecerá inúmeras vezes durante este movimento artístico. As fortes ligações ao mito de Édipo assim o permitiam.

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Esfinge: Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?
Édipo: O Homem. Na manhã da sua existência, gatinha usando os seus quatro membros. No meio da sua vida, caminha usando as suas pernas. Na penumbra da sua passagem terrena, auxilia-se de uma bengala para dar os seus últimos passos.

O Mago


Ainda o Movimento Decadentista a remexer-me o espírito, inquietando-me com as suas provocações de virar do século.

Ao lado, encontramos Joséphin Peladan, figura maior da vertente parisiense desse movimento, que chama a si outros ismos, numa tentativa de revitalizar e revolucionar as artes francesas.

Prenhe de simbologias deliberadamente ocultistas e diretamente ligado ao nascimento dos rosa-crucianos em terras gálicas, a única coisa que impede o seu maior conhecimento por parte do grande público é a ausência de tradução da esmagadora maioria das suas obras. Esperemos que essa situação se inverta. A sua extensa e provocadoramente inventiva obra não merece tanto descuido.


gaveta de arrumos