A raiva
terça-feira, fevereiro 18, 2020 | Etiquetas: Evarist De Buck, Máculas, Novos Fôlegos, Pintura | 0 Comments
A mágoa
À espera da fenomenal vaga que a lave, que a leve, para longe do seu peso fantasmal. E a vaga vem, e a vaga vai. Vem e vai. Vem. Vai.
E a preia-mar invernosa mostra-lhe o caminho rumo ao campo das estrelas. E a praia, à beira-mar, vai-se limpando e alindando rumo a um verão invencível.
quinta-feira, janeiro 23, 2020 | Etiquetas: Máculas, Novos Fôlegos, Xilogravura Japonesa | 0 Comments
Estátuas de Sal
Inertes. Mas sempre presentes. À espera de algo que as desperte daquela letargia intemporal. Marasmos leprosos. Estranham-se pelos sonhos adentro e maculam a vigência do restante dia.
Fantasmas, chamam-lhes. Animais de hábito. Animais de companhias indesejadas, chamo-lhes eu. Maus hábitos que devem ser tratados com indiferença, a bem de os perder. E à conta de tanta indiferença, transparecem em direção ao esquecimento.
Não olhar para trás é a melhor forma de não nos transformarmos em estátuas de sal.
quarta-feira, novembro 27, 2019 | Etiquetas: Gravura, Máculas | 0 Comments
Recolher
Agarrai nas vesgas moles
e lançai-as aos biltres de brandas fronhas!
De mortalhas trajadas,
não passais já de carne fétida
a quem apraz maldizer
em vil acto de excomunhão!
Desviai-me a mão
de tal enfermo propósito,
que de mim próprio temo!
Sabei que as minhas dolores
são profundas e antigas,
porque vossas.
Soai agora a hora do recolher!
Ó nauseada vontade
de um povo sem grito,
de um rosto sem brado!
Dai de comer a essa fome
que vos come,
dai novo mister a essa Alma
que por ora jaz sem serventia!
terça-feira, junho 11, 2019 | Etiquetas: Adolphe William Bouguereau, Máculas, Novos Fôlegos, Poesia | 0 Comments
Musa
....................................................................................................................
Centos de doidos vivem neste hospícioe cantamum qualquer quarto andamentode um concerto para uma vozsumida.Torna-me o verbo claro e infinito,tolda-me a Musa o som de um reco.Aconteci-me assim,néscio com tanta catadupa rítmica.Faz-se o desenquadramento à rima,porque o vocábulo, esse não mentequando vem do ventre.Centos de doidos vivem neste hospícioe cantam.As suas vozes não são desconhecidas,são todas elas minha e minhas.
segunda-feira, maio 20, 2013 | Etiquetas: Fotografia, Máculas, Manicómios, Poesia | 0 Comments
Fogueira
As epifanias sacras que lhe escorriam do coração eram como visões de anjos em vagarosa procissão.
E no alto do clamor, o reflexo de uma fogueira que ardia e ardia.
sábado, fevereiro 26, 2011 | Etiquetas: Fotografia, Máculas | 0 Comments
Casa de água
Já a chuva, insistente e fria, emaranha-me a mente e suja-me o pensar.
Porque a razão vive numa casa de água, onde os peixes entram pelas janelas abertas sem pedir licença.
sábado, novembro 20, 2010 | Etiquetas: John William Waterhouse, Máculas, Pintura | 0 Comments
Draconiano
Nos draconianos peitos do teu desamor. Nos nefastos olhares do meu rubor. Nos enganadores desencontros das águas.
Caça e devora-me que já tarda a hora.
sábado, julho 03, 2010 | Etiquetas: Ilustração, Máculas, Vania Zouravliov | 0 Comments
Mornas tardes

Na morna tarde do teu beijo, sentem-se rubores, sentem-se anseios. São veredas que calcorreio sem pressa, nem enfado. Savanas em labaredas onde me queimo ao desengano.
quarta-feira, fevereiro 03, 2010 | Etiquetas: Ilustração, Máculas | 0 Comments
Cartilagens

Foi na cartilagem das tuas penas que a viagem se escreveu, cíclica e insistente como a vaga e apagando o rasto atrás de si.
As epifanias, embora diárias, eram dadas de comer aos cães alados pela calada da madrugada.
segunda-feira, janeiro 18, 2010 | Etiquetas: Audrey Kawasaki, Máculas, Mochos | 0 Comments
Crâneo

Vieste em jeito de manhã-gaivota com as mãos frias e um crâneo ao ombro. Sal servido em salva de prata.
A carne, esquartejava-a com luxúria e os beijos saíam secos e podres.
sábado, janeiro 02, 2010 | Etiquetas: Fotografia, Máculas, Surrealismo | 0 Comments
Coral

Deixem passar os arrastados esqueletos pelo quarto de coral. Não serão belos, não serão nobres?
Na côncava córnea do meu pasmo, tu consentes-me em oblíquos amplexos.
quarta-feira, dezembro 23, 2009 | Etiquetas: Máculas | 0 Comments
Brumas

Ténue neblina sobre a linha do meu pensamento, sudário de minha alma que ateima.
Fôlegos renovados e promessas breves em jeito de oração.
terça-feira, dezembro 08, 2009 | Etiquetas: Fotografia, Máculas | 0 Comments
Aqui

Se alguma vez se perguntaram sobre a origem do nome deste blog, ele vem de um poema meu, talvez o meu favorito de todos que até agora escrevi. Fiquem com ele.
Amada morada
Onde sátiros e sodomitas dormem
Nus e inocentes
Jazendo
Sob tumulares luares
Onde sátiras e desditas escorrem
De bocas entreabertas
Rangendo
Esgares e maus-olhares
Onde pajens sob lajes
Fétidas e gélidas
Guardam
Sagrados segredos
Aí me encontras
Na minha amada morada
Não escolhida, mas encontrada
quinta-feira, agosto 06, 2009 | Etiquetas: Máculas, Poesia | 0 Comments
Galeria de Monstros

Fadados para não mais serem olvidados, a caixa secreta de todas as manhãs inusitadas. Marcados para a matança dos esgares no tiro certo das noites sem estrelas nem luares.
Rosna o cão com sede de sangue. Saciá-lo, jamais.
domingo, julho 26, 2009 | Etiquetas: Fotografia, Máculas | 0 Comments
Reboliços

Sinto-me como um quarto em reboliço. Cansei de tanto e tanto bulício. Necessito de fronhas lavadas e de frontes descansadas.
Vento Norte, dá-me novos fôlegos e deixa-me espraiado em amigos regaços.
terça-feira, julho 14, 2009 | Etiquetas: Fotografia, Máculas | 0 Comments
Solstícios

E assim te anuncias, majestosa e ímpar, a nova estação. Estival de sua graça, tens-me a mim como vestal em venerosa vénia.
Opulenta na tua abundância, reclamas o fogo do sol enquanto despertas o sal na pele dos amantes breves.
domingo, junho 21, 2009 | Etiquetas: Máculas, Pintura, Vittorio Zecchin | 0 Comments
Olhar

Mágoa no meu cerne. Trago-a entravada na garganta. Desatara eu as cordas vocais para te consolar. E para te arrancar um sorriso nesse olhar perdido. Perdoa.
sexta-feira, junho 12, 2009 | Etiquetas: Fotografia, Máculas | 0 Comments
Em chamas

Sinto-me como uma casa em chamas. Tudo em mim arde, tudo em mim ferve. Sinto-me quando me chamas. Porque me ralhas, porque me queres.
Rasga-me então e dá-me de comer ao fogo.
quinta-feira, maio 28, 2009 | Etiquetas: Fotografia, Máculas | 0 Comments
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